terça-feira, 12 de abril de 2011

E lá estava ele impassìvel
A fitar o impossível
Sonhando um dia chegar.
Mas, eras tão criança, Zé, tao pequenino...
Eras tão criança prá sonhar.
Sonhar, sonhar...Zé acorda!
Zé, filhinho, vem deitar!...

Sair...sair, prá quê?!
Deitar, dormir, que coisa incômoda.
Zé preferia morrer a sair.
Zé Tinha, tinha que ver.

O dia passava, e à noite
Como uma sombra na sombra
Lá ficava Zé, sempre impassível
A fitar a imensidaõ do céu
a Escutar o sussurrar do vento
A sentir o balouçar das flores
E a dizer em sofrimento:
"Papá, Papá... vem prá cá..."

Ái! Pobre Zé, pobre criança humilde.
Pobre vida miserável vida
Pobre escarro de um ébrio qualquer...
Aquela alí - tão triste a fitar no horizonte
Um homem magro e um madeiro
E atrás dele o mundo inteiro
A gritar: "matemo-no!

E a mãe do Zé que nada via
Gritava da cozinha aflita:
"Zé, filhinho vem jantar...
Cê precisa de comer...
Zé, Zé... tu vai morrer...
Não vê que ele não vem ?...
Zé, filhinho vem comer..."

Mas Zé nada mais escutava
Nada mais ouvia, nada mais falava.
Zé parou de vez, e dos lábios
Apenas um sorriso de adeus, deixou prá nós.

Nos olhos do Zé, o cristalino brilho
Revia cenas de morrer:
Zé viu o pai sendo assassinado...
Zé viu o olhar do pai, tão magoado...
Zé viu seu pai chorar sem ninguêm vê.

Zé viu, Ze viu sim!
E Zé, tão pequenino então, morreu de medo
E se escondeu da vida prá fugir dos homens
Os mesmos homens que mataram o pai.

Hoje é a mãe do Zé que anda assim, aflita.

terça-feira, 5 de abril de 2011

A POESIA

Ai como é triste a poesia
Que fala do coração
E debulha a ilusão
De uma vida tão vazia
Onde a dor e a saudade
Andam sempre em harmonia.

E a união é tanta
Da poesia e da dor
Que chora sempre o poeta
Os beijos que não levou
Os lábios que nunca teve
A muher que não amou.

E quanto mais segue na vida
Os burburinhos do mar
Mais se lembra das feridas
Que não as tem, nem quer sarar
Pois leva sempre no peito
A dor que nunca terá.